Consolidação da Compreensão dos Modelos de Gestão de Projetos.
Nesta sétima semana, a minha compreensão sobre os modelos de Gestão de Projetos consolidou-se em torno de uma certeza. A complexidade atual das organizações exige uma transição de modelos estritamente preditivos para abordagens mais flexíveis e centradas nas pessoas.
A literatura recente, como a proposta de Gomes 2025, aponta que o grande avanço na GP reside nos modelos híbridos. Ao integrar a disciplina e o rigor do PMBOK com a iteratividade das metodologias Ágeis (como o Scrum) e a profunda empatia do design thinking, conseguimos não só controlar prazos e custos, mas sobretudo garantir que o projeto entrega verdadeiro valor humano.
Um aspeto importante que retiro desta integração é que a gestão eficaz do projeto depende fundamentalmente da gestão dos stakeholders; envolvê-los e comunicar com eles de forma contínua e estratégica é o que verdadeiramente mitiga a resistência à mudança e previne falhas graves.
Integração entre Teoria, Instrumentos e o Debate do Fórum
O debate que fomentámos no fórum 4 acerca do modelo híbrido interligou-se perfeitamente com os resultados que obtive nas escalas aplicadas na semana anterior (EGHP-28, ECIGP-27 e QCIO-18). Como os meus resultados mostraram uma boa fluência de ideias na equipa, mas evidenciaram falhas no suporte organizacional à inovação e na inclusão plena, o debate confirmou que metodologias como o design thinking podem colmatar esta lacuna.
Através de ferramentas como mapas de empatia e sessões de brainstorming sem julgamentos, o modelo híbrido operacionaliza, na prática, um clima de segurança psicológica onde as ideias podem falhar e iterar livremente.
Além disso, como aponta a literatura, a comunicação interna contínua é o fio condutor que garante este ambiente, traduzindo as intenções inovadoras numa colaboração real e engajada.
O Papel da Cultura Organizacional na Promoção da Inovação
Uma reflexão profunda desta semana incidiu-se sobre como a cultura dita os limites da inovação. Ficou claro que inovar não é um ato mecânico, mas um reflexo da diversidade e da gestão humanizada.
Autores como Manoel et al. 2025 e Silva 2024 afirmam e muito bem que, equipas com diversidade, seja de género, etnia ou background cultural, geram um repertório muito mais vasto de soluções criativas para problemas complexos. Contudo, esta diversidade exige uma cultura organizacional robusta e de inclusão. Sem uma liderança culturalmente inteligente, que saiba mediar choques entre culturas com diferente distância ao poder ou aversão à incerteza, a diversidade pode gerar conflito e desmotivação em vez de inovação
Todavia, uma cultura verdadeiramente inovadora é aquela que abraça não só a diversidade interna, mas também a inteligência colaborativa externa, abrindo as portas à inovação aberta, integrando startups, academia e a comunidade nos seus ciclos de desenvolvimento (Izycki, 2025).
No que diz respeito as problemáticas para investigação futura à luz destas reflexões, e cruzando a gestão humanizada, a liderança e a inovação em projetos, identifico três grandes problemas que merecem uma investigação futura com grande seriedade e aprofundamento dentre as quais cito:
- Liderança e diversidade cultural: De que forma as lideranças de projetos podem desenvolver e aplicar estratégias ativas (ex: adequação do onboarding e de rituais comunicativos) para mitigar tensões em equipas multiculturais, transformando as divergências num fator de alavancagem para a criatividade? (Inspirado nos desafios culturais propostos por Silva, 2024)
- Gestão humanizada e desempenho: Em que medida a integração formal de práticas de gestão humanizada (ex: escuta ativa, reconhecimento e balanço trabalho-vida pessoal) nos referenciais de gestão de projetos (como o PMBOK) reduz o turnover e aumenta o nível de sucesso e entrega de valor em ambientes altamente tecnológicos? (Inspirado no artigo da Mereo, 2025, e Manoel et al., 2025).
- Hibridismo e inovação aberta: Como podem as organizações públicas e privadas adaptar os modelos híbridos de GP para gerir com eficácia os desafios jurídicos, metodológicos e culturais trazidos pelos ecossistemas de Inovação Aberta? (Inspirado no estudo de caso de Izycki, 2025 e Gomes, 2025).
Bibliografia
Gomes, T. D. (2025). Proposta de um modelo híbrido baseado em Design Thinking e PMBOK para a melhoria da gestão dos projetos de software.Dissertação de Mestrado, Instituto Universitário de Lisboa. Repositório do Iscte.
Izycki, L. G. (2025). Estudo de caso da adoção de inovação aberta em entidades públicas brasileiras. Revista del CLAD Reforma y Democracia, (89), 26-53.
Manoel, A., Jubé, J. F. R., Alves, L. C. B., Bomfim, N. L., Gaudie, R., Machado, R. D., Luma, S. C. R., Santos Junior, S. D. dos, Braga, V. G. de A. do V., & Eboli, L. G. de A. (2025). Diversidade e inclusão nas organizações: Uma revisão de literatura sobre práticas de gestão e impactos organizacionais. Revista DCS, 22(81), 1-17.
Mereo. (2025). Gestão humanizada: O que é, importância e como implementar. Mereo.Oliveira, G. F. de, & Rabechini Junior, R. (2015). Gestão de stakeholders em projeto de mudança de planta operacional. Anais do IV SINGEP – Simpósio Internacional de Gestão de Projetos, Inovação e Sustentabilidade.
Santos, L. F. dos, & Sousa, W. J. de. (2020). Gerenciamento de stakeholders na gestão de projetos: Revisando a publicação científica. Revista Visão. Gestão Organizacional, 9(1), 71-83.
Silva, C. G. da. (2024). Os impactos da diversidade cultural na gestão de equipas multiculturais: Estudo de caso numa empresa de retalho. Dissertação de Mestrado, ISLA - Instituto Politécnico de Gestão e Tecnologia.

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