Com base nas leituras efetuadas nos Capítulos 1 e 2 do livro: Jardim, J. (2025). Gestão de Projetos: Fundamentos, Desafios e Investigação, apresentos um resumo da matéria para a compreensão da evolução da disciplina Gestão de projetos.
Origem e desenvolvimento histórico da gestão de projetos
Historicamente, o método chamado CPM (Método do Caminho Crítico) foi muito usado na indústria química e, depois, passou a ser utilizado na construção civil e no desenvolvimento de software. Em 1957, durante a Guerra Fria, a Marinha dos Estados Unidos da América, juntamente com a empresa Booz Allen Hamilton, criou o método estatístico PERT. Este método foi feito para gerir a construção dos mísseis balísticos polaris, um projeto com um grau de incerteza muito alto. O PERT usa um diagrama de rede com setas para mostrar a ordem das tarefas e descobrir qual é a sequência de tarefas que determina o tempo mais curto para acabar o projeto. Mais tarde, no final do século XX, a gestão de projetos transformou-se com a introdução dos métodos ágeis, criados especificamente para o desenvolvimento de software.
Impacto das inovações tecnológicas e económicas
O texto indica que o mundo e a sociedade mudam de forma rápida na atualidade. Estas mudanças contínuas nas necessidades dos clientes obrigam as equipas a adaptarem-se rapidamente. Por esse motivo, a inclusão dos métodos ágeis na gestão de projetos tornou-se uma evolução natural para conseguir enfrentar os desafios de um mundo em mudança rápida e garantir resultados adequados.
Diferenças entre metodologias tradicionais e ágeis
Metodologias Tradicionais:
- São métodos mais rígidos e sequenciais. Exigem uma planificação muito detalhada das atividades e são mais usados em projetos de grande escala onde o controlo do tempo é o fator mais crítico (como na defesa ou na construção civil).
Metodologias Ágeis:
- São métodos diferentes porque dão prioridade máxima à flexibilidade e à colaboração contínua entre as pessoas envolvidas. O trabalho não é feito todo de uma vez numa sequência fixa, mas sim através de uma abordagem interativa, feita por partes (fases curtas), permitindo adaptações rápidas a mudanças.
Erros frequentes na gestão de projetos
O texto destas páginas não faz uma lista direta de erros, mas indica o que deve ser evitado ou prevenido. Um erro é não antecipar os riscos associados ao atraso nas atividades críticas. Outro erro é a falta de monitorização constante, a equipa precisa de mapear e observar o trabalho de forma contínua para assegurar a entrega dos resultados no tempo certo. No método Kanban, o erro seria acumular muito trabalho inacabado, pelo que é obrigatório limitar o trabalho em progresso para que a equipa consiga identificar ineficiências visuais e ativar ajustes necessários.
Identificação de conceitos-chave
Caminho crítico é a sequência de atividades dependentes umas das outras que determina qual é a duração mais curta possível para concluir um projeto.
Técnica PERT é um método que avalia três estimativas de tempo para cada tarefa dentre os quais 1/ o tempo otimista (duração mais curta), 2/ o tempo provável (duração realista) 3/ o tempo pessimista (duração mais longa caso tudo corra mal.
Tempo Esperado é nada mais e nada menos que um cálculo usado na técnica PERT que soma o tempo otimista, quatro vezes o tempo provável e o tempo pessimista, dividindo o resultado total por seis.
Os métodos Ágeis incluem Formas de trabalho flexíveis, focadas na resposta rápida às mudanças e no contacto contínuo com os clientes.
O Scrum, por sua vez é um método ágil que divide o trabalho em ciclos curtos.
Sprints: É o nome dado às iterações (fases) curtas de trabalho no método Scrum. Servem para a equipa ajustar os objetivos do projeto frequentemente com base na opinião e avaliação contínua dos utilizadores finais.
Explicação simples
A forma antiga e rígida de organizar o trabalho utilizando métodos tradicionais - Quando os engenheiros têm de construir algo muito grande, como prédios, eles fazem um plano com setas que mostra a ordem exata de todas as tarefas, desde o primeiro dia até ao último. Eles procuram descobrir qual é o caminho mais rápido para conseguir acabar tudo sem atrasos. Nessa altura, também tentam adivinhar o tempo de três maneiras: Quanto tempo demoram se tudo for muito rápido, se for normal, e se tudo correr mal e demorar muito. Fazem isto porque precisam de ter a certeza absoluta da data em que o trabalho fica pronto.
Portanto, explicando a forma nova e flexível, isto é, os métodos ágeis, essa por sua vez vê como as coisas no mundo mudam muito depressa. As pessoas perceberam que planear tudo no início nem sempre funciona. Então, inventaram formas de trabalhar onde não precisam de ter um plano tão rígido e podem adaptar-se às mudanças de forma muito mais rápida.
Ora bem, em vez de tentarem fazer o trabalho todo de uma só vez, usam ferramentas diferentes tais como Scrum. Eles dividem o trabalho grande em partes pequenas e rápidas chamadas Sprints. Fazem um bocadinho do trabalho, mostram aos clientes e perguntam a opinião deles. Se o cliente quiser mudar algo, eles mudam logo ali antes de passarem para o passo seguinte.
Kanban: Para não ficarem confusos com tanta coisa, usam quadros visuais para ver o que falta fazer. A regra mais importante é não fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Quando fazem menos coisas ao mesmo tempo, conseguimos ver melhor onde estamos a errar e, corrigimos os problemas mais rápido.
Reflexão crítica
A evolução da Gestão de Projetos demonstra que esta disciplina deixou de ser apenas uma ferramenta de planeamento rígido para se tornar numa competência transversal, estratégica e adaptativa.
A transição de metodologias tradicionais como o CPM e a técnica PERT, desenhadas para cenários de forte pendor industrial onde o foco era o controlo estrito do tempo e atividades, para as metodologias ágeis no caso o Scrum e Kanban, reflete a resposta necessária das organizações à atual volatilidade do mercado. A verdadeira critica, contudo, reside no impacto da revolução digital e da globalização. Ou seja, integração de ferramentas como a inteligência artificial e o big data não retira relevância ao gestor humano, pelo contrário, obriga-o a focar-se na gestão adaptativa, na liderança de equipas multiculturais e na responsabilidade face aos desafios éticos e de privacidade de dados.
Como referiu o colega David Cunha no fórum, o verdadeiro desafio do gestor contemporâneo é ir além da simples execução técnica, compreendendo os fundamentos teóricos e metodológicos da sua prática para produzir conhecimento crítico.
.
Um exemplo clássico e fundamental foi a criação da técnica PERT em 1957 para gerir o desenvolvimento do projeto de mísseis balísticos Polaris da marinha dos EUA. Este era um projeto com um elevado grau de incerteza que dependia da identificação precisa de um caminho crítico para assegurar o menor tempo de execução possível. Adicionalmente, o CPM foi aplicado pioneiramente na manutenção de plantas químicas pela DuPont.
Metodologia Ágil - O caso do desenvolvimento de software
Na atualidade, as empresas tecnológicas utilizam o método Scrum para criar software. Em vez de um plano rígido de anos. O trabalho é dividido em sprints que significa iterações curtas, o que permite às equipas ajustarem os seus objetivos rapidamente com base no feedback contínuo dos utilizadores finais.
Questões emergentes para futura investigação
Como é que a integração da IA pode automatizar as previsões de risco e de que forma isso altera as exigências éticas e de liderança exigidas ao Gestor de Projetos?
Em que medida a emergência da sustentabilidade e da responsabilidade social estão a reconfigurar os critérios tradicionais de sucesso dos projetos, que historicamente se limitavam a pressupostos de custo e tempo?
Como equilibrar a necessidade de cumprir normas rigorosas de qualidade e segurança globais como as normas ISO 9001 ou 27001, com a flexibilidade exigida pelas metodologias ágeis num mercado em rápida mudança?
Com estima,
Albertina Macunge
Sem comentários:
Enviar um comentário