sexta-feira, 12 de junho de 2026

Semana 13-DIAi - Documento Consolidado Final

Diário Individual de Aprendizagem-Investigação – Documento Consolidado Final

Introdução
No início desta UC, as minhas expectativas estavam marcadas por uma mistura de entusiasmo e apreensão. Como partilhei no Fórum 1, ao assinar o contrato de aprendizagem, a minha principal preocupação centrava-se na exigência da escrita científica e na manutenção da consistência qualitativa na interação a distância. Encarei, desde logo, este DIAi não apenas como um mero elemento de avaliação, mas como um verdadeiro espaço de escrita e reflexão metodológica, essencial para a transição das leituras teóricas para a maturação de ideias.

O percurso ao longo destas doze semanas caracterizou-se pela transição de uma perspectiva puramente técnica da Gestão de Projetos para uma visão holística e humanizada. Utilizei o meu contexto profissional real como laboratório vivo, avaliando as dinâmicas da minha chefia direta e desenhando intervenções para colmatar as suas lacunas. Esta abordagem permitiu-me ancorar firmemente a teoria à prática, transformando a aprendizagem num exercício de reflexão aplicada.

Desenvolvimento por módulos

Módulo 1 – Origem, evolução e fundamentos da GP

As leituras iniciais permitiram-me compreender o projeto como um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado único. Na aplicação do questionário de avaliação da Gestão de Projetos a um projeto da minha chefia, identifiquei falhas críticas nas fases da planificação e controlo. A literatura e o debate no fórum consolidaram a ideia de que subestimar o tempo, os recursos e a identificação atempada dos riscos na fase de planificação resulta invariavelmente numa gestão reativa e em crises constantes.

Módulo 2 – Perfil do gestor de projetos e liderança ética
Este módulo foi muito transformador. Ao aplicar o Inventário do perfil do gestor de projetos, diagnostiquei que as minhas dimensões mais fortes residem na comunicação e inteligência emocional, tendo como fragilidade a necessitar de intervenção a gestão de riscos. Paralelamente, apliquei a escala de liderança ética  à minha chefia, revelando pontuações deficitárias na transparência, na aceitação de responsabilidades perante falhas e no respeito. Concluí que a competência técnica, embora essencial para iniciar um projeto, não sobrevive sem a liderança ética, que é o verdadeiro pilar para a coesão da equipa e prevenção de conflitos.

Módulo 3 – Dinâmica das relações humanas e inovação na GP
O estudo deste módulo tornou evidente que a produtividade está intrinsecamente ligada à criação de um ambiente humano positivo. A aplicação da escala da gestão humanizada de pessoas e da escala da criatividade e inovação  ao meu contexto organizacional corroborou que a inovação exige tolerância ao risco e uma cultura que encare o fracasso como aprendizagem. Compreendi que a comunicação clara e a gestão adequada de stakeholders não são apenas processos burocráticos, mas ferramentas de humanização que mitigam a resistência à mudança e promovem a criatividade sustentada.

Módulo 4 – Gestão de riscos, tomada de decisão e sustentabilidade
Este módulo reconfigurou a minha visão sobre a adversidade. A adoção dos princípios da ISO 31000:2018 ensinou-me que a gestão de riscos deve ser proativa e integrada na governança, visando tanto se proteger de ameaças como explorar oportunidades. Ao nível da sustentabilidade, o modelo Triple Bottom Line reforçou que o sucesso não se mede apenas pelo lucro, mas pela pegada ambiental e pelo impacto social positivo nas comunidades. A aplicação de checklists e escalas provou ser fundamental para sustentar decisões em evidências e não em meras intuições.

Módulo 5 – Conceção, aplicação e avaliação de programas de intervenção
O culminar do meu percurso foi a sistematização teórica e prática através do desenho do programa de intervenção pressupondo a capacitação em liderança ética e transformacional para Chefias, destinado a resolver os problemas diagnosticados nos módulos 2 e 3. A aplicação do QEFPI-40 ou seja, expetativas, e do QAPI-33 evidenciou a importância de alinhar os inputs aos outcomes. Inseri, de forma deliberada, o treino em gestão positiva de crises no currículo, compreendendo que a resiliência é crítica para a eficácia a longo prazo. A grande lição foi constatar que um programa de intervenção partilha a essência de um projeto, onde requer diagnóstico, planeamento trduzidas em metas smart, execução iterativa e avaliação rigorosa de impacto.

Reflexão global

A aprendizagem mais que retiro desta UC é que a Gestão de Projetos não é puramente uma engenharia de processos, mas essencialmente uma inovação humana. As falhas operacionais decorrem, na sua maioria, de défices em soft skills e da ausência de liderança ética ou suporte social.
Desenvolvi o meu pensamento crítico, a capacidade de argumentação científica e a aptidão metodológica para utilizar e analisar instrumentos de avaliação tais como escalas, questionários, checklists como meio de sustentar diagnósticos e justificar planos de ação baseados em evidências.
O meu ponto forte ao longo deste diário foi a capacidade de integrar a fundamentação teórica à observação empírica da minha realidade profissional. Como fragilidade, reconheço a dificuldade inicial em definir indicadores de impacto que consigam medir objetivamente mudanças comportamentais profundas e sustentadas ao longo do tempo.
O impacto foi total. Deixei de olhar para os projetos como cronogramas e orçamentos ou seja, «o Triângulo de Ferro», passando a integrá-los num ecossistema muito mais vasto, onde a ética, a sustentabilidade, a inteligência emocional e a avaliação do impacto socioeducativo determinam o real valor do que é entregue à sociedade.

Perspectivas futuras

O conhecimento consolidado neste DIAi servirá de base para o meu artigo científico, que incidirá sobre o meu projeto pessoal com vista a implementação futura,a plataforma digital de e-commerce «O Meu Style é a Minha Voz». A investigação abordará este tema cruzando a gestão de projetos sustentáveis com a minha intenção empreendedora, utilizando a avaliação do impacto social como pilar metodológico. A questão de investigação central será: De que forma a implementação de uma avaliação de impacto social no desenho estrutural do projeto pessoal da plataforma de e-commerce contribui para colmatar a assimetria socioecológica e atenuar o ceticismo do consumidor na indústria da moda infantil?.
Explorarei um desenho de investigação de métodos mistos. Na vertente qualitativa, utilizarei a análise de conteúdo não-obstrusiva de plataformas concorrentes para mapear o greenwashing e o isomorfismo no mercado atual. Na vertente quantitativa, aplicarei inquéritos por questionário online com escalas de Likert à diáspora lusófona para medir variáveis latentes como o ceticismo e a confiança. A integração destes dados permitirá estruturar a Avaliação de Impacto Social do projeto, validando a eficácia da «transparência radical».
A utilidade destas aprendizagens é direta e imediata. A plataforma não é um mero exercício académico teórico, mas sim um projeto pessoal de vida. As competências de planeamento e avaliação de impacto adquiridas garantirão que a transição da idealização para a realidade no mercado seja feita com solidez e mitigação de riscos, assegurando que este projeto atue não só como retalho, mas como um autêntico catalisador de literacia e cidadania global.

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